E
na madrugada
Com cheiro a torrão
Desabrocha a arte
Como por encanto
Cantarinhas
Emergem do chão
E rudes panelas
Sobre o negro manto.
Vai
girando a roda
Com a roda da vida
Com mãos calejadas
Em saco de barro
Descalço no tempo
Em pés de soenga
E na boca, apagado,
Um minúsculo cigarro.
E
a roda rodou
E a vida também
E o oleiro chorou
Quando a roda parou
E por entre os dedos
Da cor da soenga
Um velho cigarro
Também se apagou.
VELHO
OLEIRO